domingo, 13 de junho de 2010

Epílogo I

Ao falar de verdade... só saudade
Para falar de amor... a dor
Para falar de beleza... tristeza
Falta de clareza
Inquieto, já não tenho calma
Pois dentro de minha alma
Só saudade, dor, tristeza.

A dor doía outrora?... Agora
Antes lhe contém?... Ontem
Quando, talvez, passará o afã?... Amanhã
Sonhada alma sã
Mude minha sina
Esta dor que não termina
Agora, ontem ou amanhã.

Tenta-se, mas não dá... calar
Por mais que se esteja rouca... a boca
Fala de viver?... Morrer
Minh’alma me faz gemer
Na vida só sinto dor
Por estar assim agora vou
Calar a boca e morrer.

Título 37

Prédios grandes,
Prédios pequenos.
Mundo capitalista,
Mundo consumista.

Ruas limpas,
Ruas sujas.
Avenidas lotadas,
Avenidas congestionadas.

Vidas constantes,
Vidas variadas.
Mortes estressantes,
Mortes matadas.

Ônibus vazios,
Ônibus lotados.
Motoristas frios,
Motoristas descontrolados.

Pedestres vivos aos dias,
Pedestres mortos às noites.
Animais antes com razão,
Animais com coração.

Motoristas bêbados,
Motoristas sóbrios.
Animais agora sem razão,
Animais sem coração.

Mortes a todo instante.
Mortes no jornal.
Um dia constante,
Um dia normal.

No olhar a tristeza,
No olhar a alegria.
No transito a frieza,
No transito a nostalgia.

Um mundo que não muda,
Um mundo que não pisca.
Um mundo que não ajuda,
Um mundo capitalista.

Título 34

Monte:
Estou a meio metro do chão.
Preso por uma corda no pescoço.
Agora já é tarde demais.

Acabei de fazer uma loucura,
Mas juro que foi sem querer,
Não sei o que fazer.
Há pouco eles estarão a minha procura,
Não fingirei minha postura.
Acho que vou seguir meu coração
Ou qualquer coisa para ter uma reação.
Achei sem querer dois objetos
Coloquei um no pescoço, fiquei ereto.
Estou a meio metro do chão.

Mas agora é muito tarde para falar adeus...

Olho para todos os lados
Procurando algumas saídas,
Lembrando das vidas vividas,
Dos momentos apaixonados,
Dos encontros desencontrados.
Lembro dos tempos de moço
E de agora estando diante do poço,
Pensando se morrer é suficiente.
Agora nada vai mudar o que eu tente.
Preso por uma corda no pescoço.

Mas agora é muito tarde para falar adeus...

O pior é não poder pedir perdão.
O que acontece não tem volta,
Nada muda, nem mesmo com marmota.
Acho que vou ao chão,
Vou pagar minha sanção.
Não sou, de me perdoar, capaz,
Não irão me perdoar, nunca, jamais.
Queria livre poder ser,
Mas também não queria morrer.
Agora já é tarde de mais.

É tarde demais
Para dizer “nunca, jamais”.
É tarde demais
Para dizer “não quero mais”.

sábado, 12 de junho de 2010

Título 24


Em um futuro bem perto
Muitas coisas vão acontecer,
O céu irá cair, a terra desabará,
E eu ficarei com você

Muitas lágrimas serão derramadas,
Coisas impossíveis irão ocorrer,
O zero absoluto será alcançado
E eu alcançarei você


Água será difícil de encontrar
Na terra será impossível viver.
Muitas pessoas iram para marte
E eu irei para lá com você

A rotina de muitos será desfeita,
O sexo será a única fonte de prazer,
Aborto, drogas, bebidas serão aceitas
E eu aceitarei você


Beleza como a sua não será encontrada.
Muitas pessoas não saberão te descrever.
Com medo e trabalho estará ocupada
E eu estarei ocupado contemplando você.

Robôs contarão uma de minhas histórias
E isso todos irão saber
Que você nunca saiu de minha memória
Que eu sempre amei você.

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